Estesia

Percepção sensação impressão expressão... Somos um pequeno grupo de amigos empenhados em reagir a alguns estímulos; a idéia é registrar uma reação como um flash despretensioso, registro provisório do que, provavelmente, não chegará a conhecer forma mais consistente ou duradora. Um amontoado de esboços que nunca verão arte-final.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Da Educação do Ser Humano

Após semanas sem aparecer pelo blog, resolvi novamente postar algo que vem me incomodando faz tempo e que, de uma forma ou de outra, tem sido recorrente em nossos posts.
Nós, autores, temos sidos muito intolerantes.
Ora, percebam que estamos ficando indignados com comportamentos humanos completamente ordinários em nosso cotidiano.

O que tem demais se alguém fica falando no celular enquanto você pagou apenas cerca de vinte reais para assistir um filme no cinema? O que tem demais se as pessoas que querem passar por vc, no meio de um estádio de futebol, chegam te empurrando com um escudo? O que tem demais se os carros trafegam livremente pelas praias do litoral brasileiro e são estimuladas por publicidades super bonitinhas? O que tem demais se alguém passa ao seu lado no meio de um ambiente público com o celular no volume máximo ouvido Fresno, NxZero, Restart, ou qualquer "música" do tipo? O que tem demais se todas as vagas de deficientes físicos e idosos, em shoppings e lojas, forem ocupadas por jovens ou pessoas em perfitas condições de saúde? O que tem demais se, no meio de um ambiente de trabalho, dermos um saudável arroto? O que tem demais se o telefone celular tocar no meio de um seminário, palestra e afins? O que tem demais se usarmos a palavra "porra" no lugar de vírgula? O que tem demais se, ao comermos, jogarmos o lixo na rua, já que as prefeituras não providenciam lixeiras que ficam grudadas em nossos pulsos para que os lixeiros (nossos escravos) o recolham todo o final de tarde? O que tem demais se, ao ficarmos apertados para ir ao banheiro, pararmos no meio da rua e colocarmos nosso companheiro fiel para fora e mandar ver? O que tem demais em alguém guardar uma fila do supermercado com o carrinho e ficar na outra (sem nada nas mãos) só para ver qual anda mais rápido?

Estamos muito exigentes...onde já se viu algo assim!?
Como posso ainda ficar revoltado com essas coisas e encarar o dia-a-dia? Tenho uma proposta a qual creio que irá resolver todos nossos problemas. E quem quiser me acompanhar será muito benvindo.
VOU-ME EMBORA PRA PASSÁGARDA!!!

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sábado, 1 de maio de 2010

Mundo às avessas

Ontem, fui assistir Alice in Wonderland, 2010, de Tim Burton. Mas, não foi para dizer que o filme é ótimo; e que a parceria Burton-Depp continua perfeita; e que a Mia Wasikowska realiza uma Alice lindamente fria e distante e incomodamente autosuficiente. Resolvi postar para desabafar sobre outro incômodo. Causado pelo comportamento de boa parte da platéia que não sabe para que serve o cinema. Houve um tempo em que o apagar das luzes era um recado claro o suficiente para as pessoas se prepararem para o início do espetáculo (basicamente, para calarem a boca; abrirem os olhos e começarem a prestar atenção). O que pude perceber, na sessão de ontem, foi o nível a que a tosquice pública chegou. Primeiramente, fiquei espantado com alguns adolescentes que estavam tirando fotos com um celular (com flash). Como estavam na mesma fileira que eu, tive de suportar os brilhos que destoavam de maneira desagradabilíssima da solene escuridão da sala. Depois, tive que, por pelo menos duas vezes, explicar para algumas pessoas na fila da frente que não se deve conversar durante um filme.

Socorro! Acho que vou pular na toca do coelho.

Talvez o problema seja comigo. Talvez eu deva assistir aos filmes num home theater sozinho em casa. Talvez devesse viver numa época em que as pessoas, antes de entrarem num teatro, deixavam seus chapéus em escaninhos porque seria indelicado continuar usando-os dentro do teatro. Sonho com um cinema no qual seja proibido entrar portando aparelhos celulares. Enquanto eu pensava isso (um pouco antes do filme, efetivamente, começar) fui surpreendido pela capacidade que tem a realidade de surpreender e de superar sua própria cretinice. A propaganda veiculada pelo cinema dizia ipsis uerbis:

– agora você já pode receber onde quer que você esteja as notícias do Brasil e do Mundo diretamente no seu celular – daí seguia uma longa série de informações e imagens pretensamente importantes do tipo que abarrotam programas cretinos de TV e revistas de fofoca bem ao gosto da mediocridade predominante entre os consumidores privados de raciocínio: fotos de jogadores de futebol e de atrizes globais; referências a programas imbecis como realities shows e afins – enfim, um inventário do bestiário

Permaneceria a eternidade xingando lixos deste quilate. Mas, há coisas mais úteis a fazer. Portanto, seguirei o conselho de Gracián, segundo quem, é melhor o intenso que o extenso

E termino lembrando A igreja do Diabo, do bom e velho Machado, que menciona que há regras que parecem terem sido feitas para serem quebradas...

Continuo noutro post

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